04
Jan26
Mãos
Sónia Quental
Acostumei-me a deixar doer quando algo doía, por amor confuso ao sofrimento. Agora, quando dói, deixo doer, mas por amor só. As mãos do amor nunca trabalharam e não se lhes vê fundo. Não lhes falta saber nem há fome de que padeçam. Fermentam cura no seu calor iletrado. Ao seu cuidado, a dor volve redonda, feita nada – silêncio iluminado.
