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Na Pegada do Silêncio

" ‘You are a lover of silence’, he said". H. W. L. Poonja

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Na Pegada do Silêncio

16
Set25

Cordão umbilical

Sónia Quental

 

         O cordão umbilical não cai à primeira. É dele que vem o medo primário da perda, o medo da morte que nos espanta logo à nascença e nos faz agarrar a tudo o que impeça de sermos sozinhos. Tudo o que nos mostre que estamos sós desde o momento do primeiro choro. Desde que aprendemos a andar, é preciso a todo o momento desembaraçar o passo desse cordão umbilical invisível, implacável, que ainda assim não podemos perder.

       Mesmo quando se nos enrola à volta do pescoço, em sufocos intermitentes, é a corda que temos para voltar ao sítio onde éramos preenchidos, um todo sem partes, um mundo sem perdas. Por isso nos prendemos ao que quer que forme o cordão que nos ligou ao útero: família, amigos, crenças, identidade. Se largarmos esse mosaico feito de tempo, colado à memória pelo hábito, largamo-nos de nós, impressão digital apagada pela ausência de vínculos.

         Não deixamos ir os outros para não nos deixarmos ir, para lutarmos pela continuidade e mantermos a coesão que existe por trás de um nome reconhecível quando alguém o pronuncia. Dá medo rasgar o cordão e nascer verdadeiramente, viver sem amarras, que é o mesmo que estar sempre a morrer, sem saber o que virá depois. Despedirmo-nos de todos os reconhecimentos, de volta à nudez que nunca teve começo – à alegria de Ser.

03.08.2018 - Saia preta (33).jpg

Fotografia: 2018 © Francisco Amaral – Todos os direitos reservados

 

Fear of loss magnetizes us away from Truth: loss of acceptance, loss of friends, loss of reputation, loss of home, loss of position, loss of dreams, loss of preconceived ideas, loss of beliefs, loss of traditions, loss of the world we’ve spent lifetimes building up in our image, loss of our ideas about God.

(...) Who wants to let go of everything for a mistake? I look at her and see that we never let go of anything that doesn’t bring in something higher. She calls it evolution. It’s the natural movement of being – toward the higher thing.

Christin Lore Weber, in A Cry in the Desert: The Awakening of Byron Katie

 

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