Malhas
Era muito criança, ensinaram-me a fazer malha. Como é fácil imaginar, não havia outras meninas na pré-escola com tal ocupação, concentradas no ponto de liga e no ponto de meia – antes entretidas com as casas das bonecas. Tristemente, a malha não vingou e os dotes femininos terminaram aí. Talvez pela ocupação bizarra, foi a idade em que tive o primeiro cinturão de meninos à volta, dispostos a bater nas outras meninas por mim. A professora zangou-se. Pus-me de cócoras, decidida a treinar para ser invisível. Assim caminhei por penitência oferecida – até desmanchar a malha e o engano.
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Tentaram muito
ensinar-me a ser humilde. Tentei
muito aprender e saber.
Só o cabelo aproveitou a lição, caindo-me
com uma alegria danada.
Ao fim e ao cabo, a humildade não pegou,
mas o cabelo renasce corado, de pé.
