Parábola para os gentios
A Verdade começou a pensar que talvez fosse feiinha ou tivesse mau odor corporal. Sempre que dobrava uma esquina ou estava prestes a cruzar-se com alguém, a pessoa atravessava desvairada para o outro lado da rua sem se lembrar de olhar para os dois lados, provocando toda a espécie de acidentes e caos na estrada. Ou então passavam a assobiar, fazendo de conta que não a conheciam, a admirar os chemtrails que golpeavam o céu. Quando chocavam diretamente com ela, era por distração e logo fugiam sem dar tempo de pedir os dados para o seguro.
O Amor era mais popular, mas depressa descobriu que só gostavam da sua companhia quando se embriagava e ficava com a visão turva. A Verdade dava-lhe o braço nesses momentos, neutralizando-lhe o bafo incapacitante. Mas nem a companhia do Amor a tornava mais querida. Consolavam-se mutuamente.
